O visto de nómada digital: para quem é (e quando precisas mesmo dele)
O "visto de nómada digital" espanhol dá muito que falar desde a lei das Startups de 2022. Antes de te meteres na papelada, uma clarificação que decide tudo: este visto depende de onde vens. Para portugueses (e qualquer cidadão da UE) é desnecessário; para brasileiros e outros de fora da UE, é muitas vezes a porta de entrada ideal.
Se és português (ou da UE): não precisas dele
O visto de nómada digital é reservado a cidadãos de fora da União Europeia. Como cidadão da UE, tens livre circulação: podes viver e teletrabalhar em Espanha sem qualquer visto. A única formalidade, acima de três meses, é registares-te como residente — o famoso cartão verde. Ponto.
Se és brasileiro (ou de outro país fora da UE): este visto é para ti. É exatamente o dispositivo pensado para quem trabalha à distância e quer viver legalmente em Espanha sem um contrato local. Dá-te residência, permite trazer cônjuge e filhos, e pode abrir a porta a um regime fiscal vantajoso. Em baixo explicamos as condições e o passo a passo.
As condições (para quem é de fora da UE)
Para um não-europeu que teletrabalha a partir de Espanha, as condições principais são:
- Trabalhar à distância para empresas fora de Espanha (no máximo 20% dos rendimentos vindos de clientes espanhóis).
- Um rendimento suficiente: à volta de 200% do salário mínimo espanhol, ou seja, da ordem dos 2 760 a 2 850 EUR/mês em 2026 (o valor exato depende da base considerada — a confirmar no portal oficial).
- Um diploma ou três anos de experiência na área, uma empresa cliente com mais de um ano de existência, uma relação de trabalho de pelo menos três meses.
- Um seguro de saúde completo (sem franquias) e registo criminal limpo.
A demarche (como pedir)
Duas vias: a partir do estrangeiro através do consulado (visto de um ano), ou a partir de Espanha através da UGE (a unidade dedicada), que emite uma autorização de três anos e tem fama de ser rápida (resposta em cerca de vinte dias, silêncio valendo aceitação). Renovável depois. Muitos brasileiros entram primeiro como turistas e tratam do pedido já em Espanha pela UGE — costuma ser o caminho mais ágil.
E a "lei Beckham" nisto tudo?
É aqui que muita gente confunde. O visto de nómada é um título de residência; a lei Beckham é um regime fiscal vantajoso (tributação a 24%) a que os titulares do visto podem aceder. Os dois estão ligados mas são distintos — e o regime fiscal pode também interessar a alguns recém-chegados europeus.
Em resumo: português, esquece o visto de nómada e trata do teu cartão verde. Brasileiro ou de fora da UE? Este dispositivo é provavelmente o teu melhor caminho.
Fontes
- Portal PRIE — Residência teletrabalhadores internacionais (nómada digital)
- Plataforma ONE — Pedido de residência nómada digital
- administracion.gob.es — Inscrever-se como residente (cidadãos UE)
- SEPE — Salário mínimo (SMI) 2026
Informações verificadas em junho de 2026. As regras fiscais, sociais e os preços mudam: antes de qualquer trâmite, confirma na fonte oficial (links abaixo) e, para assuntos fiscais ou jurídicos, consulta um profissional. The Daily Valencia é um meio de comunicação assistido por IA com revisão humana — em caso de dúvida ou erro, escreve-nos.
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